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Mia Gambi em: Trinta e três e as Metas Cabalísticas

33. Trinta-e-três. Completo trinta e três em agosto de 2019. Em vinte meses.  608 dias. Uma idade simbólica, cabalística. E assustadora. MUITO assustadora.

Até lá, acredito que Game of Thrones já terá acabado (quem será que ficou no trono de ferro? – ou melhor, os White Walkers venceram? Ainda existe uma Westeros? Quem Morreu?). Talvez George R.R. Martin já tenha lançado “Os Ventos do Inverno” e esteja já começando a longa e infindável escrita de “Sonhos de Primavera”. Ou talvez ele tenha morrido e tenhamos que nos conformar com o desenvolvimento da série. Talvez, ainda mais, os co-autores do “Mundo de Gelo e Fogo” decidam continuar a saga e finalmente nos dar um final nos livros.

Renato Russo escreveu sobre os vinte-e-nove, e eu decidi me inspirar e seguir essa linha de como um número, uma idade, pode servir como propulsor para mudanças, avaliações e direcionamentos e, depois de mais uma experiência profissional frustrada, cheguei a conclusão que eu preciso mudar. Mudar hábitos, expectativas, visão e abandonar algumas coisas pelo caminho.

As 33 metas serão reveladas aos poucos, conforme eu conseguir completar as anteriores. Talvez, as 33 se transforme em 37 ou 43 ou, quem sabe, em 28. Tudo depende de como as primeiras metas forem se desenrolando, do cumprimento do período o e dos fatores externos.

Separei minhas metas por ciclos. E, tentando deixá-las mais específicas, as relacionei. Como, por exemplo, hábitos alimentares (dieta) e exercícios – que são minha primeira meta. Como motivação, cada semana irá incluir uma recompensa, e um prêmio ao final da meta.

Diariamente, farei uma lista de tarefas, incluindo no topo os itens principais, e só então partirei para os itens diários.Também irei relatar, semanalmente, quanto da  meta consegui concluir, o que foi mais difícil, gatilhos e sabotadores que conseguir perceber e alinhar estratégias para superá-los. Dois gatilhos que já são muito claros, e já estou procurando saber como contornar, são a ansiedade e o medo do sucesso.

Ao procurar metas, decidi tentar entender qual meu propósito pra respirar – quando meu nariz deixa ou quer, ele é tão temperamental quanto a dona. Até agora, cheguei a conclusão que desejo trazer beleza. Tornar as coisas agradáveis. Tornar tudo que me rodeia melhor, mais palatável.

E, acreditando nisso, preciso começar me tornando uma pessoa mais agradável, por dentro e por fora.  O processo interno já acontece há algum tempo. Então, decidi partir para o exterior, começando pelo tópico Dieta/Exercícios (que incluem 3 itens extras mas que podem ser traçados na mesma área).

O projeto aqui é direto:

  1. Acordar assim que o despertador tocar – e levantar e me trocar;
  2. Exercícios 3 vezes na semana;
    1. Logo após o café da manhã
    2. Seguir o plano da Nike Training Club (já está lá, não preciso pensar e nem nada);
  3. Yoga todas as manhãs;
  4. Comer mais consciente;
    1. Mais frutas, verduras, legumes e fibras;
    2. Doces não são proibidos, mas serão evitados.
  5. Escovar os dentes e passar o fio dental todas as noites (sei, isso deveria ser lei, mas ainda não é);
  6. Diminuir meu peso e gordura corporal;
    1. Atualmente, peso 60 kg – quero chegar em 58 kg nessa etapa;
    2. Atualmente, minha gordura corporal está em 25,2%. Quero chegar aos 20%.
  7. Perder o hábito de cutucar minhas espinhas e arrancar casquinhas.
    1. Entender quais pensamentos ansiosos me levam a esse hábito;
    2. Deixar as unhas curtas;
    3. Quando pensar em cutucar algum ponto, trocar o foco e massagear mãos ou ombros.

Esmiuçando essa meta:

  1. O que eu quero com essa meta?  Me tornar uma versão melhor de mim mesma
  2. Quem é responsável por ela? Euzinha mesma;
  3. Onde ela deve ser realizada? Em casa (exercícios) e onde eu estiver (comer consciente, não cutucar espinhas, escovar os dentes);
  4. Quais são as suas limitações para conquistar essa meta? Ansiedade, preguiça e procrastinação;
  5. Como ela será batida? Saindo cedo da cama, me exercitando sem pensar muito, trocando o hábito de comer doce por frutas, mudando o hábito quando o gatilho da ansiedade vier
  6. Por que ela existe? Quero me sentir mais bonita, tonificada e com mais energia;
  7. Quanto é o resultado esperado da minha meta? Emagrecer (2 kg), Reduzir a gordura corporal, ganhar flexibilidade e energia, diminuir as marcas de espinhas e cicatrizes pelo corpo;
  8. Quanto tempo será necessário para realizá-la? 4 semanas, vinte dias – de 18/12/2017 a 14/01/2018;
  9. Quais as recompensas propostas:
    1. Semana 1: duas colheres de sopa de brigadeiro;
    2. Semana 2: Porta colar;
    3. Semana 3: Design de sobrancelha;
    4. Meta Atingida: Vestido novo.

 

Um dos fatores que vi que ajudavam a tornar as metas mais factíveis é torná-la pública. Então, aqui está. Se você chegou aqui, deixe um comentário e me ajude a me tornar um pouquinho melhor. Sua ajuda é realmente muito importante, e saber que tem mais alguém me apoiando será um incremento a minha força de vontade.

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No Apartamento da São Gabriel

Quando eu era criança, o apartamento da São Gabriel era o lugar do sonho, onde eu podia vestir as camisolas longas da Dona Amélia, colocar Tchaikovsky na vitrola e rodopiar pelo carpete.

Foto tirado em vilarejo abandonado em Passagem de Mariana - MG

Onde os livros não findavam, e havia cômodos mil, minúcias e esconderijos.

Também era a janela onde a noite era iluminada e movimentada, minha predileção desde sempre.

Galinhas dos bombons de ouro.

Binóculos de slides.

Lança perfume, maracas, licores, cascos de tatu.

Esporas, ferraduras, Florisbela e Benedito.

E seu Fernando com a rádio cultura, sempre ligada, e seu carteado paciente.

O rádio azul que insistia em existir naquela cozinha tão pequena…

As caminhadas no parque, colheitas de jasmin e perfume.

Árvores mágicas.

Era o meu castelo.

Onde eu era a bailarina, onde existiam todas as danças.

O mais curioso é que a dança morreu quando a vitrola passou a me pertencer.

Nenhuma valsa de Strauss me encanta mais fora daquele apartamento… Que está lá, mas não existe mais.

Vertiginosa

http://www.rogeryostgallery.com/fine-art/andrew-atroshenko/andrew-atroshenko-art.htm
Obra de Andrew Atroshenko

Resolvi sentar ali naquela manhã. Estava frio, como de se esperar, mas não gelado, como deveria. E ela sentou-se ali, comigo. Eu, emudecida pela sua presença, não tinha uma atitude sequer. Acabara que, com o passar de todos esses anos, aprendi a conviver com ela.

No passado, eu a convidei para entrar em minha vida, quando sua presença era doce e pressagiava novos horizontes. Sim, é verdade, um dia eu a quis do meu lado. Ela fazia cócegas, ao invés de triturar minh’alma, nessa época. Eu queria, novamente, que ela voltasse, recuasse… Mas agora, sentada do meu lado, como a que me encarar, ela me obrigava. Sim, quase que me arrastava pra sua tenaz visão de mundo.

Como eu escaparia? Isso, meu caro, que eu gostaria de saber. A cada hora tento encontrar uma nova maneira de lhe ignorar. Ela está ali, ao meu lado. Não posso sucumbir, ou ela devora-me a alma. Nubla meus pensamentos, acelera meu coração. Não, não é como um alucinógeno que traz instantes de conforto. Essa, querido, toma-me qualquer suspiro, e transforma no pior pensamento possível. Queria eu descobrir como ela me enganou! E também entender aqueles velhos budistas, que dizem que “é só não desejar”.

Agora, conte-me: você consegue viver sem desejar? Um chocolate, um aumento, algo novo. Ou amor, amizade, terminar a faculdade. Sim, ela está ai, do seu lado, esperando que você, por um segundo, planeje seu futuro. E queira fazê-lo acontecer. Essa moça, tão fina, pequena… Brota feito semente bem cuidada. E, durante a tarde, parece que ela se acalma, vai cuidar de outras pessoas. Deixa-me viver e eu tomo a esperança de que ela finalmente tenha ido. Meu erro primário, suponho. Esperança apenas é seu pseudônimo.

Sim, agora me lembro. Foi assim que se apresentou quando a conheci. É… e ao sentir a esperança de tê-la feito, finalmente, partir, vejo que a noite ela volta, cobrando tudo que não lhe prometi. E algumas coisas mais. Durante a madrugada, ela me atormenta: não me deixa dormir!

Ah, e ainda, meu caro, tem a pior parte: a da conquista. Sim, passamos horas, dias a fio juntas esperando a conquista. E quando, finalmente, consigo o que tanto almejei, ela se adianta, como sempre. Sorrateira, com aquele sorriso irônico, ela me pergunta: “- Ah, minha queria, e o que farás agora, depois disso? Isso te completa a alma? Não procuras mais nada?” E eis que eu me transformo, fantasmagórica, lívida… Todo o gosto que esperei, não existe! A conquista é efêmera, de nada vale ter esperado a festa! A festa, em si, nunca será completa!

Essa moça, tal de Expectativa, rouba tudo de mim: Desde o sofrimento da derrota à glória da vitória. Vampiresca, essa nossa relação. E tão atraente, ao mesmo tempo… É, como diria Kundera, a vertigem…

Tresloucada!

Andei pensando, enquanto minha cabeça rodava no travesseiro, que realmente ando exigindo muito. Exigindo que o compasso acompanhe a minha arritmia, e que a vida se faça da minha maneira.

Tudo errado, disse a primeira pontada de enxaqueca do domingo (que, por sinal, veio junto do primeiro raio de sol da manhã). Eu deveria aproveitar esse dia, de outra forma, ao invés de me debulhar em lágrimas por promessas não feitas e quereres desiguais.

Mas não havia jeito, as lágrimas se impunham aos meus olhos e, mesmo contra a minha vontade, eu chorava. E junto com o choro, veio aquele amargor: fígado, com certeza.

Não tinha jeito, tudo estava acabado. Afinal, eu sabia disso. Há tempos. Ah, consegui, cheguei ao âmago da questão. Há quanto tempo eu sabia e insistia em não saber? Quisera eu me punir?

foto de http://www.flickr.com/photos/laisdalamah/

Quisera eu tentar mudar o destino?

Sim! A labirintite já havia me gritado, logo no começo do domingo. Eu quis ser mais. Mais que o destino, mais que a vontade alheia. Quis forçar, e acabei forçada.

Café quente queimando garganta a baixo. Sim, fora essa a sensação. Engolir que eu poderia ter me esquivado, e permaneci agarrada à jarra escalpelante.

Queimaste de tonta, era isso, sim, que me diziam as lágrimas. Tanto sofrimento em vão, já sabias tu! E eu não quis me conformar. Ah, e o que aprendi com tudo isso, então, senão a me conformar? Eu queria mais do que podia ter, e esqueci-me de ter o que podia.

Tão batido, clichê.  Mas só faz sentido quando é contigo, acalmavam-me os soluços.

Entrega-te, deixe o Morfeu carregar-te. E eu deixo? Deixei. E ele levou-me, para onde, ainda não sei.

Sei que, naquele domingo, eu abandei (quase) tudo aquilo. E o resto? Ah, esse eu tento me livrar até hoje! Não, não posso carregar certos pesos e fantasmas, desatrelarei-os.

Antes de outro embarque, com certeza.