Rodriguiana

E pela manhã eu sentia-me. De diversas formas, eu conseguia sentir cada nervo, conexão e neurônio existentes em mim. E também sentia todo o peso daquela verdade, insistente, a latejar nos meus passos.

O óbvio ululante é sempre o mais difícil de se escutar. Está ali, diante dos olhos, mas os olhos não ouvem. E os ouvidos insistem em cegar diante de qualquer estertor, agonizante, enviado pelas borboletas que invadiam meu estômago.

Hoje eu me sentia meio protagonista de qualquer livro desses de Nelson Rodrigues, meio pudica, com as faces rubras a menor menção de um elogio. Mas fervilhando. E sofredora, aflita, portadora de uma dor lancinante, pungente e indescritível, escondida atrás de um olhar de cigana, e um sorriso oblíquo.

No final das contas, eu era uma prófuga mistura de diversas musas, inexata até em seu autor. Começava no Dirceu, e perdia-me nas saias rodadas. Tudo bem, se até eu perdia o foco de mim mesma, como poderei culpar outrem por fazê-lo?

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