Àquela música, com toda insensatez

Engraçado essa música voltar agora. Não na mesma medida, proporção ou sofrimento. Era em francês, aquele francês que fazia tanto mais sentido quando a conheci. Nada mais sutil do que, dessa vez, apenas um leve aperto avizinhar meu peito, ao invés daquele rompante de tristeza e lágrimas que tanto me dominaram anos atrás.  Talvez porque eu esteja acostumada a partir, ou porque esse ‘amor’ já era natimorto, vazio, e eu esperei que ele se fosse – sempre soube que mais dia, menos dia isso aconteceria.

Ao contrário de quando me apaixonei pelo francês, e pela música, mesmo em português, desconhecendo seus versos no doce idioma que me encanta. Eu queria tanto aquilo… Há, sim, era uma paixão pelo amor. Na verdade, creio que não me lembro quando me apaixonei por alguém. Como diz a Paula Toller, não amo a outra pessoa, amo o amor, e o que ele me representa. E vivo procurando corpos, aos quais poderei vestir com esse amor.

E brincalhão, sorrateiro, ele diz-me que aquelas medidas não lhe cabem, e eu insisto em querer vestir o santo, ora apertado demais, ora largo demais. E, realmente, me pergunto por quê. Por que eles se foram. Melhor: Por que não ficaram? Ou fui eu que quis ir, só não tive força?  Não, nunca houve a entrega completa. Embora já tenha eu perdido horas, ou jogado tudo fora, nunca meu sapato pisou no de alguém, ou meu sangue errou de veias. Meu sangue, isso eu garanto, pulsa forte no meu peito. A melancolia, ou solidão do dia, esmaecem e retornam, curiosamente, depois das seis.

O que importa, afinal? Não adianta que eu questione. Tudo já foi respondido, agora eu que me vire para entender as respostas. Interpretação do silêncio é a matéria mais difícil que conheço, e não me foi lecionada junto com a compreensão do sentimento alheio.

Não, não entendi daquela vez, quando me apaixonei pelo francês, e conheci a música. Como não entendi por tantas vezes, nesses anos. E dificilmente, irei, algum dia entender. Apenas sorri, quando a escutei. Senti aquilo tudo esvair lentamente… Como eu tinha vocação para o drama! A veia na qual meu sangue se perde é a artística. É nato. Indissolúvel esse meu vínculo com a intensidade… Talvez seja por isso que essa música faz sentido na minha vida: o exagero, que ao poeta tanto é necessário, é a única coisa capaz de me dar gosto ao dia.

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