No Apartamento da São Gabriel

Quando eu era criança, o apartamento da São Gabriel era o lugar do sonho, onde eu podia vestir as camisolas longas da Dona Amélia, colocar Tchaikovsky na vitrola e rodopiar pelo carpete.

Foto tirado em vilarejo abandonado em Passagem de Mariana - MG

Onde os livros não findavam, e havia cômodos mil, minúcias e esconderijos.

Também era a janela onde a noite era iluminada e movimentada, minha predileção desde sempre.

Galinhas dos bombons de ouro.

Binóculos de slides.

Lança perfume, maracas, licores, cascos de tatu.

Esporas, ferraduras, Florisbela e Benedito.

E seu Fernando com a rádio cultura, sempre ligada, e seu carteado paciente.

O rádio azul que insistia em existir naquela cozinha tão pequena…

As caminhadas no parque, colheitas de jasmin e perfume.

Árvores mágicas.

Era o meu castelo.

Onde eu era a bailarina, onde existiam todas as danças.

O mais curioso é que a dança morreu quando a vitrola passou a me pertencer.

Nenhuma valsa de Strauss me encanta mais fora daquele apartamento… Que está lá, mas não existe mais.

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